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Um estudo desenvolvido pela Pricewaterhousecoopers e avaliado pela Deloitte concluiu que a atividade da Corticeira Amorim resulta numa pegada de carbono negativa de 2 milhões de toneladas.

Como material 100% natural, cada prancha de cortiça é absolutamente única. Cada prancha de cortiça é submetida a rigorosos parâmetros de avaliação, em termos de espessura e porosidade. Os canais lenticulares são a base da classificação das pranchas de cortiça. Quanto mais “limpa” de porosidades e defeitos, melhor a sua qualidade.

A produção mundial de cortiça é de 340 mil toneladas por ano, das quais 55% são oriundas de Portugal.

Não. A extração da cortiça é um processo controlado que não requer o abate dos sobreiros - pelo contrário, contribui para a sua regeneração. É a indústria da cortiça que viabiliza a continuidade do montado de sobro, ao contribuir para a manutenção das florestas e das populações que dependem delas. Uma estimativa recente prevê que só em Portugal, onde existe a maior área mundial de montado, a cortiça explorável seja suficiente para satisfazer a procura do mercado durante os próximos 100 anos.

Estima-se que existem mais de 2,2 milhões de hectares de montado (floresta de sobreiros). Cerca de um terço (aproximadamente 730 mil hectares) situa-se em Portugal, o que equivale a 23% da área florestal nacional. Metade da produção mundial de cortiça é portuguesa. O restante provém de Espanha, Itália, França, Marrocos, Tunísia e Argélia.

Além de constituir um ecossistema natural único no mundo, o montado viabiliza um conjunto de atividades agronómicas, florestais, silvopastoris, cinegéticas e económicas: colheita de plantas medicinais e de cogumelos, produção de mel e cera, produção de carvão, caça, pecuária, observação de aves, turismo e passeios equestres. Também dá origem à criação produtos alimentares autóctones certificados pela União Europeia.

Nos sete países mediterrânicos produtores de cortiça, mais de cem mil pessoas dependem direta ou indiretamente da economia proporcionada pelo montado de sobro.

Graças às propriedades térmicas e fraca combustão da cortiça, os sobreiros são mais resistentes ao fogo do que as outras árvores. A lenta combustão da cortiça torna-a num retardador natural do fogo, formando uma barreira contra os incêndios. A sua combustão não liberta fumo nem gases tóxicos.

O montado de sobro contribui para a preservação da biodiversidade e sobrevivência de muitas espécies de fauna autóctone, algumas em perigo de extinção. A sua importância é igualmente notória no plano da fixação de CO2, na regulação do ciclo hidrológico e na retenção da desertificação ambiental e social.

Os montados formam paisagens culturais, isto é, sistemas que resultaram da ação humana por aproveitamento de recursos diversos: a cortiça, os frutos para alimentação animal, as pastagens ou as culturas agrícolas. Segundo a WWF - World Wild Fund for Nature, mais de cem mil pessoas no sul da Europa e no norte de África dependem direta e indiretamente destas florestas.

O montado está na base de um dos 35 ecossistemas mundiais mais importantes para a conservação da biodiversidade, estando equiparado à Amazónia, à savana Africana ou ao Bornéu. É um habitat natural para 135 espécies de plantas e mais de duzentas espécies de animais - entre as quais 160 espécies de aves, 37 espécies de mamíferos (no caso de Portugal acolhe 60% dos mamíferos do país) e 24 espécies de répteis e anfíbios. Entre os animais do montado, estão alguns em vias de extinção, como é o caso do lince ibérico, a espécie felina mais ameaçada no mundo e o carnívoro mais ameaçado na Europa.

A espécie mais em risco é o lince ibérico, que só se encontra em Portugal e Espanha e está considerado como criticamente ameaçado. Segundo a WWF - World Wild Fund for Nature, o número total de linces ibéricos sobreviventes nestes dois países estará abaixo dos 150 indivíduos adultos. Entre as espécies ameaçadas da bacia mediterrânica, o montado acolhe também a águia-imperial-ibérica (Portugal e Espanha), o abutre-preto e a cegonha-negra (ambos em Espanha) e o cervo da Barbaria (Tunísia e Argélia).

Calcula-se que todos os anos os montados do Mediterrâneo retenham até 14 milhões de toneladas de dióxido de carbono, um contributo notável para a redução dos gases com efeito de estufa, a principal origem das alterações climáticas. Só no caso de Portugal, a retenção de CO2 associada às florestas de sobro ronda os cinco milhões de toneladas/ ano (5% das emissões totais de CO2 no país). Um sobreiro descortiçado fixa, em média, cinco vezes mais CO2 durante o processo natural de regeneração do que um sobreiro não descortiçado.

Este facto deve-se à alta especialização necessária para que a extração de cortiça seja feita sem danificar este activo precioso.