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Hotspot de vida

Os montados (florestas de sobreiros) são um pilar ambiental, social e económico determinante nos países do Mediterrâneo. Suportam uma ecologia única e frágil que constitui um habitat para espécies raras ou em vias de extinção. Como parte da Bacia do Mediterrâneo, está inserido num dos 36 hotspots de biodiversidade mundial e tem estatuto de proteção reconhecido. O montado é habitat para mais de 130 espécies de vertebrados, 75 dos quais são aves, 28 mamíferos, 10-15 répteis e 5-7 anfíbios. Cerca de 95% de todos os mamíferos terrestres presentes em Portugal existem no montado (Pinto Correia, et al., 2013). O ameaçado lince Ibérico (Lynx Pardinus), é uma das espécies que historicamente vive e caça no montado, mas que atualmente só é encontrada em números muito reduzidos. No total, mais de 28 espécies de fauna do montado estão classificadas como protegidas (Batista, et al., 2017). No que toca a flora, mais de 1350/ha de plantas vasculares podem ser encontradas neste ecossistema, muitas destas classificadas como raras ou com o estatuto de proteção (Batista, et al., 2017).

Emblemáticos do clima quente e da terra árida, os montados protegem contra a erosão e a consequente desertificação. São uma barreira anti-incêndios, devido à fraca combustão da cortiça, e assumem um papel relevante na regulação do ciclo hidrológico. Também oferecem um contributo fundamental no que respeita ao ar que respiramos, porque fixam dióxido de carbono, que sem eles seria libertado para a atmosfera.

Calcula-se que por cada tonelada de cortiça produzida, as florestas de sobro sequestrem  até 73 toneladas de CO2, uma ajuda preciosa para a redução dos gases com efeito de estufa, a principal origem das alterações climáticas.

Igualmente surpreendente é o facto de os sobreiros aumentarem a capacidade de retenção destes gases durante o processo de regeneração natural que sucede ao descortiçamento - um sobreiro descortiçado fixa, em média, cinco vezes mais CO2. A capacidade de reter dióxido de carbono estende-se também aos produtos transformados de cortiça, que continuam a assegurar esta função.

Estas florestas são um dos melhores exemplos do equilíbrio entre a conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável - só o facto de nenhuma árvore ser abatida durante o processo de extração da cortiça constitui um caso único em termos de sustentabilidade. E são a base de uma economia de futuro. Em torno da cultura do sobreiro gira o trabalho agrícola mais bem pago do mundo, além de um conjunto de outras atividades agronómicas, florestais, silvopastoris, cinegéticas e económicas - sendo a indústria da cortiça o motor desse desenvolvimento sustentável, ajudando a manter milhares de postos de trabalho e a fixar as pessoas à sua terra.

Segundo a WWF - World Wild Fund for Nature, mais de cem mil pessoas no sul da Europa e no norte de África dependem direta e indiretamente destas florestas. Só em Portugal, onde existe a maior área de montado do mundo, dependem diretamente dessa economia cerca de 650 empresas responsáveis por mais de 8300 postos de trabalho diretos, a que se somam milhares de postos de trabalho indiretos. A cortiça transformada (cerca de 70,5% em rolhas) destina-se maioritariamente à exportação, representando cerca de 2% das exportações de bens portugueses, 1,2% das exportações totais portuguesas (Boletim Estatístico da APCOR 19/20).

A cortiça transformada (cerca de 72% em rolhas) destina-se maioritariamente à exportação, representando cerca de 2% das exportações de bens portugueses, 1,2% das exportações totais portuguesas.

O sobreiro desempenha um papel tão relevante que foi consagrado no final de 2011, por unanimidade da Assembleia da República, a Árvore Nacional de Portugal e está protegido por lei desde o século XIII.